UKYIO-E e as diferentes formas de perceber a arte

Ukyio-e é uma palavra japonesa que pode ser traduzida como “um mundo flutuante”, mas também como “mundo de incertezas”, “mundo do prazer” ou, ainda, “sociedade”.

As xilogravuras, que começaram a ser feitas no século XVII e foram amplamente difundidas até o XIX, tinham o objetivo de gravar, naquele “mundo flutuante”, as situações cotidianas. Muitas faziam referência, principalmente, ao teatro kabuki, o teatro popular, dramático e exagerado japonês muito conhecido pela maquiagem marcante e pela overdose de adereços dos atores.

Além dessa temática, representava também gueishas, lutadores de sumô, paisagens urbanas e rurais, entre outros. Com a difusão da fotografia no Japão, a técnica ukyio-e acabou caindo em desuso, mas foi muito utilizada como inspiração e referência para artistas da vanguarda europeia que se apropriaram de características do traçado, das cores e da disposição das figuras no espaço, como pode ser observado na comparação abaixo entre uma obra de Hiroshige Utagawa e outra de Van Gogh.

À esquerda, “Sudden Shower over Shin-Ōhashi bridge and Atake”, de Hiroshige Utagawa, 1857
À direita ‘The Bridge in the Rain’ 1887, de Vincent Van Gogh.

As “imagens do mundo flutuante” eram impressas, normalmente, em papel washi e contavam com cores vibrantes e traços finos. Essas estampas foram, e ainda são, muito utilizadas no âmbito comercial e, portanto, por vezes se torna difícil, pensando dentro de uma percepção ocidental da arte, separar o “original” das suas reproduções. A sua produção em massa é o que o torna acessível.

Mais recentemente, foi resgatada como uma forma de valorização da cultura japonesa e entrou na lógica de mercado contemporânea.

Fonte: <https://www.tsunagujapan.com/a-collection-of-the-ukiyo-e-artists-that-japan-boasts/>; <https://ims.com.br/titular-colecao/ukiyo-e/>

Nicole Castilho

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