O povo Boe – Curiosidades sobre a Etnia Bororo

O povo da etnia popularmente conhecida como Bororo é, na realidade, denominado Boe pois é assim que a população se identifica, apesar de outros nomes como Otuke também serem utilizados. Esta proeminente nação brasileira habitava grande parte do centro-oeste brasileiro, ocupando uma área que se estendia até a Bolívia. Atualmente, no entanto, o povo Boe habita seis Terras Indígenas (TI) de extensão limitada no Mato Grosso, de acordo com o Instituto Socioambiental (ISA).

Exposição Boe “Bororo” no Museu das Culturas Dom Bosco. Fotografia: Alcides Neto. Arquivo Documental MCDB/UCDB, 2021.

O termo Bororo, utilizado pelos não-indígenas para indicar o povo Boe, significa “pátio” e é erroneamente usado como o nome oficial da nação. Este erro se explica através de um mal entendido linguístico que acabou sendo perpetuado até os dias atuais: os primeiros grupos a entrar em contato com os Boe ouviram os indígenas falando sobre o pátio da aldeia, denominado Bororo no idioma desse povo. O mal entendido continua devido à possibilidade desse termo também ser o nome de um antepassado ou herói daquele grupo, causando com que seu nome fosse frequentemente pronunciado pelos indígenas e ouvido pelos bandeirantes e outros colonizadores que estavam atuando no primeiro contato com o povo Boe.

Na cultura desta nação estão presentes importantes rituais que representam fundamentos da história Boe, como a simbologia fúnebre presente nas cerimônias dedicadas a este fim ou as cores vibrantes que constituem a belíssima plumagem deste povo. Entre as demais características deste povo podem ser destacados a importância pelo equilíbrio com a natureza, o amor e cuidado para com os seus iguais e a infeliz preocupação com a presença e influência da sociedade não-indígena em seu meio, já responsável por tantas atrocidades acometidas às nações nativas brasileiras.

Uma pessoa integrante da cultura Boe que se destaca entre a população externa é o homem indígena Akirio Bororo Kejewu, conhecido como Tiago Marques Aipobureu, consequência do novo nome dado após seu contato com os missionários salesianos. Akirio é muito importante para o estudo e reconhecimento da cultura Boe já que foi graças a sua colaboração com os padres César Albisetti e Ângelo Jayme Venturelli que foi possível constituir a Enciclopédia Bororo, maior obra de estudo Boe até o momento de sua publicação.

Exposição Boe “Bororo”: Caminho das Almas. Fotografia: Matheus Mota. Arquivo Documental MCDB/UCDB, 2021.

No Museu das Culturas Dom Bosco é possível experienciar uma representação visual e interativa de toda a riqueza cultural do povo Boe através das vitrines especificamente posicionadas de forma a aumentar a interação do público com a exposição. Maravilhosas plumagens e artefatos cuidadosamente trabalhados pelos integrantes da cultura Boe estão expostos no MCDB, apenas aguardando o deleite do público visitante do museu.

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Texto de Kézia Dias e Bianca Blanco

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Museu das Culturas Dom Bosco

Museu universitário, ligado à Universidade Católica Dom Bosco - UCDB. Possui rico acervo de história natural com coleções de: mineralogia, paleontologia, zoologia, arqueologia e etnologia.

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One Comment

  • Eu estou estupefata com a confusão de conceitos postos neste texto de Kézia Dias e Bianca Blanco: nação, etnia, povo nativo, cultura Boe, nações nativas brasileiras; peço a gentileza de comunicar-lhe que ela precisa refazer este texto porque não é possível que escreva equívocos e ainda seja reproduzido por este site. Como Alcida Ramos (1993) explicita: “as ditas “nações indígenas”, ou melhor dizendo, as sociedades indígenas, não podem ser confundidas com nações, uma vez que suas comunidades não são imaginadas, mas vividas, ou seja, a ligação entre seus membros não é feita por meios indiretos como a imprensa ou a divulgação literária massificada, nem por uma ideologia
    individualista, mas através de contatos diretos, face-a-face e imbuídos do coletivo. Aqui, a
    impessoalidade e o anonimato não são nem cultivados nem desejados e, em vez de print
    capitalism ou de “cultura popular”, teríamos uma espécie de oralidade consensual”.

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