Orientalismo nas artes: a colonização do Oriente e os discursos visuais

Fosse buscando conhecimento ou cooperação política, produtos para o comércio ou
territórios para acoplar, o Oriente tem feito parte dos empreendimentos, desejos e imaginário europeus desde os mais remotos tempos da Antiguidade. Mas é possível dizer que as relações entre estes dois hemisférios tiveram um grande ápice no século XIX, no período seguinte à Revolução francesa.
A colonização dos franceses e dos ingleses em território egípcio, aos fins do século
XVIII, representou uma grande virada histórica tanto nas metrópoles quanto nas colônias. Para se afirmarem nestes novos territórios conquistados, os europeus precisaram fazer um esforço que ultrapassava a dimensão militar: teria que adentrar também a cultura.
Por esta razão, o trabalho dos colonizadores compreendeu também relatar e compilar
o maior número de informações sobre o Oriente, indo desde sua paisagem até sua arquitetura, mas também sua gente. A toda essa produção de conhecimento foi dado o nome de Orientalismo. Segundo Edward Said, o maior estudioso sobre o tema, o Orientalismo foi um “modo de discurso baseado em instituições, vocabulário, erudição, imagens, doutrinas, burocracias e estilos coloniais” (SAID, 2007, p. 28).
Este tipo de discurso chegou também às artes visuais, e muitas de suas obras podem
ser facilmente encontradas por museus de todo o mundo. Os pintores utilizavam o
Orientalismo como um espécie de temática para a pintura; assim, ele não era propriamente uma escola ou estilo artístico, mas um conjunto de elementos que procuravam caracterizar (de forma reduzida e, majoritariamente estereotipada) o Oriente, sua gente, paisagem e história.
Analisando de forma crítica, é possível perceber que as pinturas Orientalistas seguiam
algumas características que alinhavam esse discurso visual com o próprio ideal da colonização.
A intenção da composição destas imagens, portanto, passava por criar uma hierarquia entre as culturas: representando o Oriente como selvagem, lascivo, erótico, primitivo, bárbaro e inóspito, automaticamente o Oriente pareceria mais civilizado, organizado, burocrático, moral e político. Assim, a arte Orientalista foi uma das formas pelas quais as metrópoles europeias afirmaram seu poder colonizador, enquanto construía sua própria identidade nacional e política.

Veja a seguir algumas das mais famosas pinturas Orientalistas:

A grande odalisca, de Jean Dominique Ingres (1814)
Mulheres de Argel, de Eugène Delacroix (1834)
O banho turco, de Jean Dominique Ingres (1862)
Napoleão ante a esfinge, de Jean-Léon Gérôme (1886)
A morte de Sardanápalo, de Eugene Delacroix (c. 1827)

Sobre a autora:
Nina Ingrid C. Paschoal é mestra, licenciada e bacharela em História. Concentra suas pesquisas nas áreas em História contemporânea, principalmente enfocando História da arte, orientalismo e história da ciência. Paralelamente, é praticante e professora de danças árabes, e compõe o Coletivo Hunna – historiadoras que dançam.
Link Lattes: http://lattes.cnpq.br/8292711458262401
Contato: nina_paschoal@hotmail.com / @nina.paschoal

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