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Por que os Museus estão queimando no Brasil?

O passado em cinzas!

As instituições museais e patrimoniais são lugares de riqueza cultural, que promovem reflexões sobre os mais diversos assuntos. Os ambientes de museus, podem ainda estimularem o conhecimento estabelecendo um contato mais próximo entre a sociedade e suas atividades, tornando as instituições museais, que são importantes lugares de memória, inclusive em entidades de interesse para a sociedade atual, que se baseia em imagens para representar e entender momentos vividos pelos mais diversos grupos sociais. Heródoto já dizia, “Pensar o passado para compreender o presente e idealizar o futuro.” Mas, Por que os Museus estão queimando?

Seguindo os passos da História: Heródoto de Halicarnasso - O Pai da História
Estátua de Heródoto diante do Parlamento Austríaco

Como um país pode salvaguardar a sua memória?

O museu é o lugar onde se guardam coisas que são importantes para a história de um país, de uma época e de um povo. Perpetua um conhecimento adquirido através da pesquisa, preservação e a divulgação de bens materiais e imateriais. Quando vamos a um espaço como esse, o museu cumpre um papel social e educativo de transmitir cultura para a sociedade. É um relicário de nossas memórias enquanto humanidade e seu ambiente. Os vestígios materiais do passado como objetos pessoais, fósseis, obras artísticas entre outras coisas muitas vezes são os únicos elementos ou documentos que sobram de quem viveu há séculos ou milênios. Mesmo se o acervo for digitalizado, quando se destrói um objeto, dificilmente ele pode ser recuperado. Por isso, o desaparecimento desses elementos originais também significa o fim de parte da história da humanidade.

Com uma gigantesca responsabilidade de guardar a memória, as instituições museais e patrimoniais precisam de um investimento que alcance toda suas necessidades, para sua conservação, bem como de estratégias e infraestrutura eficiente de combate a sinistros.

Paulo Marins em uma entrevista concedida ao Jornal Nexo, diz que “há uma dimensão muito invisível dos investimentos, porque não é algo que seduz um patrocinador, não é uma coisa visível pelo público. Então o foco acaba sendo muito nas exposições, mas é realmente indispensável pensar na preservação do próprio invólucro, ou seja, do edifício. Isso envolve investir nas condições de armazenagem dos acervos institucionais, que também pedem um investimento enorme para adequação de reservas técnicas [que guardam o acervo fora de exposição], para treinamento continuado de conservadores, e para inspeção dessas coleções frequentes para ver se não há infiltrações ou risco de um problema elétrico, razão da destruição de tantos outros edifícios no Brasil. As instalações elétricas são uma dimensão vital dessas construções, não apenas porque as fiações precisam ser substituídas, mas porque as cargas de demanda de energia elétrica foram ficando cada vez maiores, por conta de ar-condicionado, equipamentos eletrônicos de projeção, de luz, que pedem muita força etc. Sem uma revisão continuada dessa estrutura, o risco de acidentes é muito grande.”

Incêndio do Museu Nacional

Uma das tragédias mais angustiantes e que nos causa indignação por ser uma perda que poderia ter sido evitada se tivesse uma eficácia das políticas públicas de proteção ao patrimônio, que recentemente tivemos o desprivilegio de assistir foi o incêndio no Museu Nacional, que se tornou o fato mais impactante de uma série de acidentes fatais em acervos de instituições culturais e científicas no Brasil. Em 2 de setembro de 2018 o Museu Nacional foi consumido por um incêndio de grandes proporções, no que já é considerado a maior tragédia museológica do Brasil. O acidente aconteceu justamente no ano em que a instituição comemorava 200 anos de existência.

O incêndio destruiu cerca de 90% do acervo, aconteceu na sequência de outros que atingiram Museu da Língua Portuguesa (2015), Instituto Butantan (2010), Memorial da América Latina (2013) e Cinemateca (2016), todos em São Paulo, ou, ainda, remete a um mais antigo, que há 40 anos consumiu as obras guardadas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Além de contar com o maior e mais antigo acervo das instituições do tipo no Brasil, o Museu Nacional estava instalado no Palácio Imperial de São Cristóvão, edifício desde 1938 tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Assim, além do acervo de valor inestimável, o incêndio atacou também um patrimônio histórico protegido, ao menos, pela legislação. Por que os Museus estão queimando?

Incêndio de grande proporção atinge o Museu Nacional na Quinta da Boa  Vista, em São Cristóvão - Jornal O Globo
RI – Rio de Janeiro. ( RJ) – 02/09/2018 – Local – Museu Nacional na Quinta da Boa Vista pega fogo . Foto: Uanderson Fernandes

Mas, por que os Museus estão queimando no Brasil?

Por que os Museus estão queimando? Deficiência orçamentária, infraestrutura precária e equipes de trabalho especializadas com número abaixo do ideal são algumas das explicações usadas para os diferentes acidentes. No caso do Museu Nacional, valem todas elas. A instituição carioca de 200 anos vinha sofrendo sucessivos cortes de verba, resultando em orçamentos anuais menores que os R$ 520 mil necessários apenas para sua manutenção.

Os acidentes podem ser combatidos, mas são prejudicados pela falta de investimento e a má gestão de riscos. Além de problemas nas estruturas, os edifícios históricos não têm muita das vezes um plano de proteção e combate a incêndios, o que o deixava em situação irregular. Além de que, boa parte das estruturas dos prédios são de madeira, e o acervos de material inflamável – o que faz o fogo se espalhar rapidamente.

Para saber Por que os Museus estão queimando? É necessário descobrir quais são as razões, que levam para todo esse descaso, e fazer dessa perda irreparável uma ação que isso não volte a se repetir. Há muito pouco investimento na cultura, e se isso acontece é porque a cultura tem pouco significado sócio-político. É preciso reconstruir esse significado sócio-político da cultura. É a única maneira de enfrentar as razões desse processo de perda permanente do patrimônio cultural brasileiro.

Leia também: Verdade e Memória: Análise da construção do passado em 1984 de George Orwell

Sabrina Nunes

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