O arranha-céu de Martinelli

O Edifício Martinelli foi o primeiro arranha-céu da América Latina. Ele se localiza no centro da cidade de São Paulo e o idealizador do prédio foi o comendador Giuseppe Martinelli. O italiano, que chegara ao Rio de Janeiro em 1889, conseguiu prosperar no Brasil. Inclusive, inaugurou uma empresa de navegação em Santos alguns anos mais tarde.

A construção data de 1924. Ela representou a ânsia de progresso e transformação do período, muito influenciado pelo modernismo. Apesar disso, a intenção do criador era que o Edifício atingisse 100 metros de altura. Isto seria o equivalente a mais ou menos 30 andares, mas com o passar do tempo, isso gerou muitas críticas e polêmicas. Sendo assim, quando atingiu 24 andares, a prefeitura embargou a obra do Edifício porque desrespeitava as leis municipais. A situação se resolveu por uma comissão técnica que permitiu a construção de 25 andares. Porém, como forma de se esquivar das exigências, Martinelli construiu sua residência (de 5 andares) no topo do prédio, somando 30 ao todo.

O Edifício Martinelli chama atenção não só pelo seu tamanho para a época, mas também pela luxuosidade que carrega. Assim, suas portas são de pinho de Riga e as escadas são de mármore de Carrara. E também os vidros e papéis de parede são belgas, a louça sanitária é inglesa e os elevadores são suíços. Além disso, a estrutura arquitetônica segue parâmetros clássicos. Dessa forma, o embasamento é em granito vermelho, o corpo em tons de rosa e o coroamento com uma falsa mansarda de ardósia.

O edifício já foi ocupado por inúmeros e diferentes proprietários. De partidos políticos ao Palmeiras. De boates ao cine Rosário.

O Edifício Martinelli e a cidade de São Paulo

Com todas as questões e problemáticas que a construção teve, Martinelli acabou com sérios problemas financeiros. Portanto, em 1933, vendeu o edifício para o governo da Itália. No entanto, dez anos depois, com a iminência da Segunda Guerra Mundial e a oposição do Brasil ao eixo, os bens italianos foram confiscados. Assim, o Edifício Martinelli passou a ser propriedade da União.

Assim, em 1975, o prefeito Olavo Setúbal decidiu salvar o edifício. Desapropriou os então ocupantes do prédio e deu início a sua restauração. O responsável pelo projeto foi o engenheiro Walter Merlo e a sua reinauguração ocorreu em 1979. Atualmente, está ocupado por repartições municipais de São Paulo.

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