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Clarice Lispector – Uma lenda da literatura do século XX

Tímida e ousada, caótica e intensa, são adjetivos que sempre tiveram presentes na vida e na obra de Clarice Lispector. Principal nome de uma tendência intimista na literatura brasileira, Clarice propôs uma viagem ao consciente individual: a experiência interior passa para o primeiro plano da criação literária, deixando em segundo plano o meio externo, o homem e sua condição social. Por isso, Clarice Lispector acabou se tornando uma uma lenda da literatura do século XX, uma das escritoras mais notáveis e importantes da literatura brasileira, não somente no Brasil, mas em toda a literatura ocidental.

O que vem de Clarice Lispector por aí | Lauro Jardim - O Globo
Instituto Moreira Salles | Acervo

Clarice nasceu em Tchetchelnik em 10 de dezembro de 1920, uma pequena aldeia da Ucrânia. Sendo descendente de judeus, seus pais Pinkhas Lispector e Mania Krimgold Lispector, passaram os primeiros momentos de vida de Clarice fugindo da perseguição aos judeus, o antissemitismo, durante a Guerra Civil Russa (1918-1920). Diante disso, ela chega ao Brasil em 1921, com apenas 2 meses de idade. O pai, mãe e três filhas desembarcaram em Maceió, dois anos depois mudam-se para Recife, onde todas menos uma das irmãs ganharam nomes brasileiros. A filha mais nova, Haya, passou a se chamar Clarice, foi uma das formas que seu pai encontrou de esconder toda sua família quando chegaram ao Brasil.

Clarice Lispector

Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma para sempre!

Clarice Lispector – Uma lenda da literatura do século XX. Era uma frequentadora assídua de bibliotecas, então pra se tornar uma grande escritora, antes de tudo, Clarice Lispector era uma grande leitora. Após a morte de seu pai, em 1940, Clarice começa sua carreira de jornalista e nos anos seguintes, trabalha como redatora e repórter na Agência Nacional, no Correio da Manhã e no Diário da Noite. Em 1943, apenas com 23 anos, Clarice publicou seu primeiro livro: Perto do Coração Selvagem e neste mesmo ano, recebeu o prêmio Graça Aranha pelo seu romance publicado.

Se naturaliza de fato como brasileira, casando com com Maury Gurgel Valente. Devido à profissão de seu marido, Clarice viveu em muitos países do mundo, desde Itália, Inglaterra, Suíça e Estados Unidos. Em 1952, já grávida do seu segundo filho, embarcou para Washington, EUA, onde viveu durante 8 anos. O relacionamento durou até 1959, e quando resolveram se separar, Clarice retornou ao Rio com seus filhos.

Clarice Lispector

“Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada… Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro…”.
Novo livro reúne, em uma única edição, todas as correspondências da escritora
ACERVO CLARICE LISPECTOR/DIVULGAÇÃO/JC

Clarice Lispector

Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível fazer sentido.

Clarice Lispector falece no dia 9 de dezembro de 1977, véspera de seu aniversário de 57 anos, na cidade do Rio de Janeiro, vítima de câncer de ovário. Para os leitores apaixonados por sua obra, jovens e adultos, não surgiu no Brasil nenhuma outra escritora com a grandeza de Clarice. Entre contos e romances, escreveu 28 livros traduzidos para 15 idiomas.

Carlos Drummond de Andrade

Visão de Clarice Lispector

Clarice,
veio de um mistério, partiu para outro.

Ficamos sem saber a essência do mistério.
Ou o mistério não era essencial,
era Clarice viajando nele.

Era Clarice bulindo no fundo mais fundo,
onde a palavra parece encontrar
sua razão de ser, e retratar o homem.

O que Clarice disse, o que Clarice
viveu por nós em forma de história
em forma de sonho de história
em forma de sonho de sonho de história
(no meio havia uma barata
ou um anjo?)
não sabemos repetir nem inventar.
São coisas, são jóias particulares de Clarice
que usamos de empréstimo, ela dona de tudo.

Clarice não foi um lugar-comum,
carteira de identidade, retrato.
De Chirico a pintou? Pois sim.

O mais puro retrato de Clarice
só se pode encontrá-lo atrás da nuvem
que o avião cortou, não se percebe mais.

De Clarice guardamos gestos. Gestos,
tentativas de Clarice sair de Clarice
para ser igual a nós todos
em cortesia, cuidados, providências.
Clarice não saiu, mesmo sorrindo.
Dentro dela
o que havia de salões, escadarias,
tetos fosforescentes, longas estepes,
zimbórios, pontes do Recife em bruma envoltas,
formava um país, o país onde Clarice
vivia, só e ardente, construindo fábulas.

Não podíamos reter Clarice em nosso chão
salpicado de compromissos. Os papéis,
os cumprimentos falavam em agora,
edições, possíveis coquetéis
à beira do abismo.
Levitando acima do abismo Clarice riscava
um sulco rubro e cinza no ar e fascinava.

Fascinava-nos, apenas.
Deixamos para compreendê-la mais tarde.
Mais tarde, um dia… saberemos amar Clarice.
Paris Review” destaca ensaio sobre Clarice Lispector – Rascunho
Clarice Lispector, autora de “Perto do coração selvagem”

Algumas de suas obras para baixar gratuitamente:

Frases de Clarice Lispector:

  • Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.”
  • Minhas desequilibradas palavras são o luxo do meu silêncio.”
  • Ainda bem que sempre existe outro dia. E outros sonhos. E outros risos. E outras pessoas. E outras coisas.”
  • Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.”
  • Mas quero ter a liberdade de dizer coisas sem nexo como profunda forma de te atingir. Só o errado me atrai, e amo o pecado, a flor do pecado.”
  • O medo sempre me guiou para o que eu quero. E porque eu quero, temo. Muitas vezes foi o medo que me tomou pela mão e me levou. O medo me leva ao perigo. E tudo o que eu amo é arriscado.”
  • Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.”
  • Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.”

Leia também: O Genocide Memorial Centre (Memorial do Genocídio) de Kigali, Ruanda

Foto de Capa: O globo

Sabrina Nunes

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