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Museu Guimarães Rosa: A primeira casa do escritor modernista

Imagem: Museu Casa Guimarães Rosa

O Museu Casa Guimarães Rosa está situado na casa onde o escritor Guimarães Rosa nasceu e passou os primeiros nove anos de vida, de 1908 a 1917. Inaugurado em 1974, o Museu oferece ao público um acervo de mais de 700 itens relativos à sua vida e produção literária, além de diversas atividades educativas. Atualmente, o museu exibe a exposição de longa duração “Rosa dos Tempos”, que proporciona aos visitantes uma experiência de imersão nos espaços residenciais da Família Guimarães Rosa reconstituídos cenograficamente. O museu conta com a atuação do Grupo de Contadores de Estórias Miguilim, inspirado no personagem criado pelo escritor, que recebe o público narrando trechos da obra de Guimarães Rosa. A instituição realiza anualmente a Semana Rosiana, em parceria com instituições da cidade de Cordisburgo. Ainda, o museu promove o “Circuito Guimarães Rosa”, integrando diversos municípios através de expedições, caminhadas eco-literárias, momentos de contação de histórias e encontros culturais, inspirados em uma viagem realizada em 1952 pelo escritor.

Vinculado à Diretoria de Museus da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, o museu foi criado no contexto de dois acontecimentos: o falecimento repentino de João Guimarães Rosa em 19 novembro de 1967 e a criação no ano de 1971 do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artísitico de Minas Gerais. Dentre as tipologias de museus, os museus casas são considerados uma tipologia especial, pois são estabelecidos em um imóvel que foi a moradia de alguém, possuindo diferentes particularidades e tipos de acervo. Busca-se preservar a forma original, os objetos e o ambiente em que viveu aquela pessoa ou grupo de pessoas, pois o conjunto museológico pode representar um recorte de determinada época, projetar a memória de um personagem social, evidenciar uma coleção de valor inestimável e retratar a vida doméstica de determinado grupo. A memória está evidente em um museu casa, além de permitir analogias com a própria experiência, lembrando casas já moradas, ambientes conhecidos e sentidos.

O Museu Casa Guimarães Rosa possui uma sala, quartos, cozinha e um pequeno comércio no cômodo da frente. Na década de 1980, o museu sofreu algumas intervenções onde foram organizados seus documentos textuais e executado um novo projeto expográfico, com a reconstituição do estabelecimento comercial mantido pelo seu pai Florduardo Pinto Rosa, que funcionava em um cômodo integrado à residência da família, como era de costume nas pequenas cidades do interior de Minas. O acervo conta com livros e diversos objetos pessoais, como uma coleção de gravatas-borboletas de Guimarães Rosa, que nunca aprendeu a dar laços nas gravatas comuns.

Imagem: Museu Casa Guimarães Rosa

O escritor nasceu em Cordisburgo, Minas Gerais, em 1908 e é considerado um dos escritores clássicos da literatura brasileira, além de ter atuado como médico e diplomata. Em sua infância, já demonstrava o interesse por línguas, começando com os estudos de francês e holandês com Frei Canísio, frade franciscano holandês, e logo depois se interessou pela língua alemã. Além disso, também se interessava pelas brincadeiras com mapas e colecionava insetos e plantas em caixas de fósforo e de sapatos. Em uma entrevista concedida ao jornalista e crítico literário alemão Günter Lorenz, Guimarães Rosa revela a importância de sua cidade natal: “Sim, mas para sermos exatos, devo dizer-lhe que nasci em Cordisburgo, uma cidadezinha não muito interessante, mas para mim sim, de muita importância. Além disso, em Minas Gerais; sou mineiro. E isto sim é o importante, pois quando escrevo, sempre me sinto transportado para esse mundo. Cordisburgo.” A cidade também abriga o monumento “Portal Grande Sertão”, concebido e idealizado pelo artista plástico Leo Santana, em referência ao livro “Grande Sertão: Veredas”. O monumento é composto por oito esculturas em bronze que foram inspiradas em uma viagem feita pelo escritor e por uma comitiva de oito vaqueiros, no início da década de 50, pelo sertão mineiro.

Monumento “Portal Grande Sertão”. Imagem: Museu Casa Guimarães Rosa

Nesse cenário, os contos e romances escritos por Guimarães Rosa ambientam-se quase todos no chamado sertão brasileiro. A sua obra destaca-se, sobretudo, pelas inovações de linguagem, sendo marcada pela influência de falares populares e regionais, principalmente no livro “Grande Sertão: Veredas”, escrito em 1956. O escritor faleceu no Rio de Janeiro no dia 19 de novembro de 1967, três dias após tomar posse na Academia Brasileira de Letras, vítima de enfarte, com 59 anos de idade. Seu corpo foi velado no Salão dos Poetas Românticos, no Petit Trianon, foi sepultado no cemitério São João Batista no RJ, sendo enterrado com seus óculos de míope, como havia solicitado a familiares e amigos.

A obra de Guimarães Rosa já foi traduzida para diversos idiomas e ganhou importantes adaptações no cinema, teatro, televisão, dança e música. Seus personagens exploram a ambiguidade e os sentimentos em meio ao ambiente físico e social no qual vivem, através do uso de neologismos, que se tornou uma das principais características do autor. Assim, tornou-se um importante representante do regionalismo brasileiro e da terceira geração modernista. Como o próprio Guimarães Rosa escreveu, “as pessoas não morrem, ficam encantadas.”

O Museu Casa Guimarães Rosa se compreende como uma homenagem ao escritor e uma forma de manter sua memória presente, além de constituir hoje uma importante referência para o turismo em Minas Gerais e atrair pesquisadores de diversos outros Estados e países, recebendo cerca de 28 mil visitantes por ano. Para conhecer mais sobre o museu, acesse os links: Facebook do museu e http://museus.cultura.gov.br/espaco/6644/

A Universidade de São Paulo (USP) disponibiliza um banco de dados com livros, textos, teses e dissertações sobre a obra do escritor, afim transformar-se na mais completa e atualizada reunião bibliográfica dedicada à obra do escritor. Para ler o material disponível no banco de dados, acesse o link: https://www.usp.br/bibliografia/index.php?s=grosa

O Click Museus tem como objetivo aproximar o público dos museus, democratizando o acesso das instituições culturais. . Para conhecer mais, acesse o link: https://clickmuseus.com.br/coletivo-akangatu-projeto-click-museus/

Lara mazeto

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4 Comments

  • O que você vai fazer hoje? Que tal visitar a Exposição Virtual no Museu do Cerrado “Perto de muita água, tudo é feliz!”
    O título desta exposição está baseado na obra de Guimarães Rosa, o Grande Sertão: Veredas, quem não fica feliz perto de água que escorre pelos rios? É essa felicidade que precisamos preservar e para isso é preciso conhecer e reconhecer o valor de unidades de conservação como a Estação Ecológica de Águas Emendadas (ESECAE) que vamos mostrar na presente exposição. Lugar emblemático no coração do Brasil é tão lindo de se admirar que precisa ser cuidado que é para gente poder guardar o cerrado que ainda está lá dentro. Convidamos a penetrar nas águas da ESECAE!
    https://museucerrado.com.br/perto-de-muita-agua-tudo-e-feliz/?fbclid=IwAR1yOoGy52kmeLkELt9o9RvvTOIb96fswDb8ViEtFfhZmsWVHNkc5okN_aU

  • Texto muito bem redigido, abrangente e elucidativo. Parabéns Lara Mazeto.
    Glaucia

  • […] 12 a 17 de julho, apreciadores da obra de João Guimarães Rosa e interessados em revisitá-la ou aprender mais sobre ela poderão acompanhar, de qualquer lugar do […]

  • […] tradicionalmente acontece em todos os anos, uma nova exposição temporária está sendo exibida no Museu Casa Guimarães Rosa por ocasião da 33ª Semana Rosiana, apresentando temas e trabalhos artísticos relacionados ao […]

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