Exposição Virtual do Museu do Seridó:  Objetos Sentidos

Exposição Virtual do Museu do Seridó: Objetos Sentidos

Ao observamos a museologia contemporânea, entendida aqui como aquela produzida a partir da segunda metade do século XX, podemos ter uma primeira impressão que o objeto do museu perdeu sua importância. De fato, ele mudou, mas não se trata de perder a importância, e sim de adquirir uma outra importância. O objeto não é mais algo em si mesmo, mas um caminho pelo qual passa a educação patrimonial, uma chave explicativa das sociedades, comunidades e pessoas.

Porém, sendo uma chave, é um instrumento, por isso precisa ser corretamente usada para que haja o processo educacional e comunicativo que é próprio dos museus. O museu, considerado aqui como sua equipe interdisciplinar, comunica uma história/memória/identidade de uma dada sociedade a partir, embora não necessariamente, de um objeto. É um tipo de leitura, um tipo específico que os museus usam: ler o mundo usando objetos que sociedades, ainda que dentro de poderes em tensão, julgam serem dignos de preservação e divulgação.

É nesse sentido, inspirado na “palavra geradora” de Paulo Freire, que Francisco Régis Lopes Ramos desenvolve, em seu livro A danação do objeto, o conceito de Objeto Gerador cujo objetivo central é “perceber a vida dos objetos, entender e sentir que os objetos expressam traços culturais, que os objetos são criadores e criaturas do ser humano”. Ainda segundo o autor, tentar trabalhar com esses objetos geradores é caminhar na “alfabetização museológica”: ao aprender a ler objetos do cotidiano os desnaturalizando, também aprendemos a olhar com mais profundidade os objetos do museu.

Podemos, no entanto, pensar também a relação inversa: concatenar os objetos do museu com os do nosso cotidiano, criar sentidos novos para eles, pois é sempre mais interessante – e necessário –  que o público não seja passivo. Cada pessoa tem em seu olhar (inclusive dentro dos museus) e, com ele, um modo subjetivo de entender a vida. Vamos às exposições completos, não deixamos nossas vidas na entrada do museu. 

Nessa concepção pensamos a atual exposição do Museu do Seridó/UFRN: Objetos Sentidos. Ela consiste em uma pequena seleção de peças, cada uma comentada por um membro da equipe do Museu dentro de três diferentes módulos, “Infância”, “Lugares” e “Futuros”. Os registros fotográficos com as considerações de cada participante serão postados semanalmente nas redes sociais do MDS/UFRN, formando, ao final, um todo, uma imagem que faz sentido sozinha e também em conjunto.  Há objetos que reativam nossas memórias através dos nossos sentidos. Eles são gatilhos de memória disparados pelos nossos sentidos, são portais que nos levam a outros tempos, outras circunstâncias. Um bule pode trazer uma falecida avó, sua voz, o sabor do café, as cores da infância. O que está em jogo, portanto, não é a história dos objetos do museu, mas das pessoas. E não só da equipe do MDS, mas de seu público. Os membros da equipe serão também facilitadores, pois toda comunidade será convidada a essa experiência sensorial trazida pelos objetos que as cercam ou até pelos do Museu, pois um mesmo objeto suscita diferentes memórias individuais.

Assim, o que se pretende com a exposição é: a) promover o debate acerca das relações entre memória individual, memória coletiva local e identidade cultural; b) fortalecimento da relação museu-comunidade através da exposição mediada e das ações educativas a ela vinculadas; c) consolidação da presença institucional nos meios virtuais, democratizando o acesso às ações e ao acervo do Museu.

Qual objeto te lembra o futuro, a infância, outros lugares? Participe da nossa exposição! Basta entrar no Instagram do Museu do Seridó entre os dias 03 e 07 de outubro para ver os objetos e memórias da equipe e público e, se quiser, deixar também seu registro!

Serviço:

Exposição virtual Objetos Sentidos

Gratuito

De  07 a 15 de outubro

Instagram: @mds.ufrn

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