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Museu do Seridó na 15ª Semana de Museus: entre esperanças e ações de recomeço

Museu do Seridó na 15ª Semana de Museus: entre esperanças e ações de recomeço

Um museu pode sofrer um infortúnio como roubo, incêndio ou desativação, como foi o caso do Museu Nacional, que cumprirá quatro anos de seu incêndio, no dia 02 de setembro. Indiretamente, há uma relação patrimonial com esta perda que envolveu toda a sociedade, mas não seria justo dizer que o incêndio no Museu Nacional afetou aos demais museus do país, sendo possível entendê-la como um dano particular, pois ainda que com perdas irreparáveis, não destituiu identidades.

Há, contudo, outras que são mais equitativamente distribuídas, seria as do tipo  de perdas mais geral. A instauração de uma ditadura, como na Alemanha Nazista dos anos 1930, violentou as artes do país enquanto parte de um projeto autoritário de apagamento literal das diferenças étnicas, sociais e culturais. Os dois tipos se cruzam, claro. Na grande maioria das vezes, um incêndio em um museu representa também um projeto de desprezo à cultura na forma, por exemplo, de escassez de recursos. A destruição sistematizada de políticas que abarcam museus sempre elege aqueles mais simbólicos sobre os quais os golpes são mais vorazes.

Nesse segundo tipo, podemos incluir perdas não relacionadas diretamente aos museus. A pandemia do Covid-19 deixará um legado incomparável de perdas na história da humanidade. E, certamente, ninguém imaginará que algo possa afetar a humanidade e não afetará os museus. É com a nossa vivência nesse processo que entramos na 15ª Primavera de Museus, e nos acompanhamos de esperança, planos e ações de recomeços.

Nós, do Museu do Seridó, abriremos nossa programação com uma mesa redonda debatendo com os museus da região, do sertão do Seridó. O objetivo da mesa é fazer um balanço das dificuldades e superações dos museus da região do Seridó nos últimos dois anos de pandemia, assim como entender seus processos de reabertura física. Entre todos, compartilhamos o Seridó, a distância do mar e das capitais, e celebramos as diferenças,  pois os museus da região têm suas particularidades. A mesa é para conversarmos sobre nossas aproximações e características únicas, assim como para traçarmos estratégias para possíveis atuações em rede.

Ainda sobre a ideia de partilha, traremos a experiência do Museu do Seridó sobre a criação de uma exposição virtual. Será a possibilidade de expormos a metodologia, as dificuldades e concepções que permearam o processo de trabalho remoto para uma expovirtual. Na oportunidade, será mostrado o processo de construção da WebExposição “Devoções do Seridó: a fé em tempos de isolamento”, e apresentaremos como foi o desenvolvimento e organização do projeto expográfico. Além da expografia, o trabalho de curadoria também será explorado, assim como o trabalho desenvolvido pelo setor educativo. Aliás, esse tema também será desdobrado em uma das duas oficinas que ofertararemos. A segunda tratará de um tema muito importante: “O historiador e as políticas de descarte em instituições de memória”, justamente para que possamos discutir com a comunidade sobre esse trabalho fundamental no dia a dia das instituições museais.

E, para finalizar, a roda de conversa intitulada “A importância da integração entre museus e universidades para o ensino acadêmico de História”, trará a reflexão sobre a importância, para a formação acadêmica dos alunos e alunas de História (bacharelado e licenciatura), da integração efetiva entre o Museu e a Universidade. O intuito é o de sensibilizar a comunidade acadêmica sobre o papel do museu como espaço de construção do conhecimento acadêmico, além de um lugar de memória.

Assim como perdas ensejam recomeços, experiências humanas (boas ou ruins) ensejam processos museais. Não como consolo, mas como reflexão crítica da dor, como o Aceh Tsunami Museum, em Banda Aceh, Indonésia. E nossa intenção é de seguir em esperança e reflexão, junto à comunidade, sobre o que podemos fazer em prol de nosso recomeço, enquanto equipamento cultural na região do Seridó.

Autores: Tiago Tavares e Vanessa Spinosa

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