Gabinsky: A arte periférica que colore muros, corpos e afetos

Com traços vibrantes e uma sensibilidade que transita entre o urbano e o lúdico, Gabriele Rangel de Souza, artisticamente conhecida como Gabinsky, é um dos nomes em ascensão na cena cultural periférica de São Paulo. Aos 30 anos, a artista plástica, graffiteira e multiartista carrega na trajetória uma relação profunda com a arte — uma paixão que nasceu na infância e se transformou em ferramenta de expressão, resistência e transformação social.

Natural da zona noroeste da capital paulista, Gabinsky começou sua jornada artística em 2012, ocupando espaços com exposições, quadros e, principalmente, muros. Seu graffiti é marcado por uma estética única, onde cores vibrantes e traços expressivos se encontram para dar vida a narrativas que colocam mulheres, crianças e o universo afetivo no centro da cena.

Uma estética doce e poderosa

Além das tintas, Gabinsky carrega também o açúcar como matéria-prima simbólica. Confeiteira desde os 18 anos, ela encontrou na doçura da confeitaria uma extensão natural de sua identidade visual. Personagens lúdicos, composições coloridas e uma explosão de formas delicadas passaram a habitar suas obras, criando uma ponte entre a arte urbana e um imaginário quase infantil — mas nunca ingênuo.

Essa fusão entre o graffiti e a confeitaria rendeu à artista uma assinatura visual própria: intensa, doce e inconfundível.

Arte em múltiplos suportes

A busca por novas linguagens levou Gabinsky a expandir seus horizontes criativos. Ela é aprendiz de tatuagem, body piercing e maquiadora artística, levando sua arte para além das telas e muros, ocupando também os corpos. Sua formação em desenho mangá, serigrafia e reciclagem evidencia um olhar atento às técnicas e à sustentabilidade, sempre ampliando as possibilidades de criação.

Reconhecimento e impacto social

O talento e a dedicação de Gabinsky vêm sendo reconhecidos em importantes editais culturais. Ela foi contemplada no Mês do Hip Hop e na Jornada do Patrimônio, com participações confirmadas em 2024 e 2025. Também foi selecionada no edital do VAI TEC com o projeto “ClickBeleza”, unindo empreendedorismo, arte e inovação.

Integrante de um coletivo de Pirituba, a artista fortalece a cena local por meio de feiras culturais, eventos e ações como o Tattoo Pirituba. Sua atuação com pintura facial infantil revela um olhar sensível para a infância, enquanto sua participação em projetos sociais evidencia o compromisso com a memória e a justiça.

Recentemente, Gabinsky atuou como assistente na criação de um mural em homenagem a Taynara, vítima de feminicídio. A obra, parte de uma ação de combate à violência contra a mulher, reafirma sua arte como instrumento de luta e resistência.

Gabinsky constrói, dia após dia, uma trajetória que conecta arte urbana, feminilidade, infância, empreendedorismo e impacto social. Seja nos muros da periferia, nas telas de exposição ou nos corpos que tatuam suas memórias, sua presença é um lembrete vibrante de que a arte pode — e deve — ser um território de pertencimento, coragem e afeto.

“A arte me encontrou antes que eu pudesse entender o que era ser artista. Hoje, ela é minha voz, minha força e minha forma de estar no mundo.” — Gabinsky

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