A difícil arte de fazer alguém se sentir importante – A serenata que ninguém vê

Por Fredi Jon

O que pouca gente sabe é que uma serenata começa muito antes da primeira nota. Ela nasce no GPS confuso, na rua sem placa, no bairro onde o sinal some e a coragem precisa aparecer. Nem sempre o endereço é fácil, nem sempre é seguro, nem sempre o trânsito colabora. E, às vezes, quando finalmente chegamos… o homenageado não está. A gente canta para a ausência, para a esperança, para a possibilidade.

Tem festa barulhenta, convidado que acha que serenata é trilha sonora de conversa paralela. Riem alto, brindam, ignoram. Esquecem que aquela música não está ali por acaso. Alguém contratou aquilo para dizer: “Você é amado”. E dizer “eu te amo” exige logística.

Antes da música, tem o buquê, a escolha das rosas, as pétalas separadas para serem lançadas no momento certo. Tem o cuidado para que cada detalhe fale por nós. Tem também o texto, a história da vida da pessoa, os fatos, os afetos, as memórias. Nada vem pronto. Tudo é construído.

E as músicas? Muitas vezes não estão no repertório. Então a gente estuda, decora, leva cifrada, ensina no carro, ensina no caminho, ensina no olhar. Hoje usamos caixa, microfone, fio, teste de som, porque acima de 30 pessoas emoção sem audição vira frustração. Mas descarregar equipamento, achar vaga, correr contra o relógio… também faz parte do espetáculo invisível.

Às vezes viramos detetives: “Ele já chegou?”, “Ela ainda está no salão?”, “Já foi embora?” Então contamos com a sorte. E com a fé.

Nem sempre a saúde está 100%. Tem voz rouca, dor nas costas, cansaço acumulado. Mas tem compromisso. E a gente vai. Já cantamos para amantes, já cantamos em motel, já cantamos para histórias que não estavam nos contratos, mas estavam no silêncio. Já cantamos no escuro, em escada, corredor, quintal apertado, em lugares onde só cabia a emoção. Improvisar não é exceção. É regra.

Serenata não é só romantismo. É estratégia emocional, resistência poética, improviso profissional. É chegar mesmo quando é difícil, cantar mesmo quando ninguém escuta, acreditar mesmo quando tudo conspira contra.

Porque, no fim, não entregamos músicas. Entregamos memórias. Entregamos coragem em forma de som. Entregamos presença num mundo cada vez mais ausente. Enquanto muitos apenas passam pela vida, a gente para o tempo — por alguns minutos — para lembrar alguém de que ele é importante. E isso não é espetáculo. É missão. E missão… dá trabalho.

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