A visita mediada Representações das mulheres no Museu Paulista convida o público a observar como as mulheres aparecem ou como não aparecem nas narrativas da história brasileira apresentadas no acervo do Museu do Ipiranga. O percurso propõe refletir sobre os papéis sociais atribuídos às mulheres ao longo do tempo e sobre as escolhas feitas por quem organizou as exposições do museu no passado.
A visita começa na exposição Para Entender o Museu, com a análise de imagens como a fotografia da lavadeira no riacho do Ipiranga e a pintura Festa escolar no Ipiranga (1912), do pintor espanhol Agustín Salinas y Teruel. A partir dessas obras, discutimos quem é representado, quem fica de fora e como gênero e raça influenciaram o acesso à educação e aos espaços públicos nos séculos 19 e 20.
Na exposição Uma História do Brasil, observamos o projeto decorativo concebido por Afonso Taunay para o Centenário da Independência, em 1922. Nesse espaço, refletimos sobre a ausência de figuras como Bartira e sobre a presença de personagens como Joana Angélica, Maria Quitéria e Dona Leopoldina. A visita debate como essas mulheres foram retratadas e quais aspectos de suas trajetórias foram destacados ou silenciados.
Ao longo do percurso, dialogamos também com pesquisas históricas recentes. Esses estudos mostram, por exemplo, que Joana Angélica e Maria Quitéria foram senhoras de pessoas escravizadas, informação revelada por cartas de alforria preservadas em arquivos públicos. Essas descobertas ampliam a compreensão dessas personagens e convidam a olhar para a história com mais complexidade.
Na exposição Passados Imaginados, analisamos pinturas históricas produzidas no fim do século 19 e início do 20. Obras como Desembarque de Pedro Álvares Cabral (1900), de Oscar Pereira da Silva, são colocadas em diálogo com produções contemporâneas, como Yuiré (2021), da artista indígena Moara Tupinambá, e Acotireno de Água Lucrecia Dandara (2020), de Marcelo D’Salete. Essa comparação ajuda a perceber como diferentes épocas constroem diferentes formas de contar o passado.
A visita também apresenta lideranças femininas negras e indígenas, como Dandara dos Palmares, Maria Felipa e Hipólita Jacinta. Em 2023 e 2025, o reconhecimento oficial de Hipólita Jacinta no Panteão da Inconfidência e no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria reforça como a historiografia está em constante atualização.
Ao final, a visita propõe uma pergunta central: quem contou a história que vemos nas paredes do Museu? Ao reconhecer presenças e ausências, o público é convidado a compreender o acervo não como um retrato neutro do passado, mas como um conjunto de escolhas feitas em seu tempo.
- Visitas mediadas
- Datas e Horários:
- Português: 1º, 8, 15, 22 e 29/3 | 14h
Ponto de encontro (português): Saguão, ao lado da Escadaria.
Retirada de senha às 13h50. - Libras: 1º, 15 e 29/3 | 14h30
Ponto de encontro: Acolhimento, ao lado da bilheteria.
Retirada de senha às 14h20.
- Português: 1º, 8, 15, 22 e 29/3 | 14h
- Duração: 1 hora
- Vagas: 20 pessoas por edição
- Atividade gratuita, mediante retirada de ingresso para acesso ao Museu
- Fonte, texto e foto: Museu Paulista da USP
Comentários