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Uma visita ao Museu do Seridó

Uma visita ao Museu do Seridó

Andei durante a pandemia pelos museus em visita virtual. Alguns, a visita panorâmica garantiu a experiência de estar no museu, mas confesso que, às vezes, tive vertigem. Outras, por vídeos da exposição, fui guiado pelo olhar do roteiro.  

Já a visita ao Museu do Seridó foi outra coisa. A primeira oportunidade de entrar numa exposição pensada para o virtual. Confesso que achei que poderia me perder. Procurei a sala, as referências aos museus físicos, mas não havia. Era um mundo novo.

                                                                                                         

                                                                                                                       Por: Gustavo Sobral

Encontro a primeira imagem de Santana e os depoimentos que trazem um tom humano, até presencial, pessoas falam, vejo uma seta que me permite seguir para a próxima imagem ou retornar. Estava ali meu guia.

Vejo, ouço. Me deparo com os depoimentos, a intimidade, a proximidade, Santana é de casa, é da família. Santana é “aquela danada”, é a “avó”, é a imagem que vamos tocar e beijar. Lembro Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil quando diz de os santos serem íntimos nossos, parte do cotidiano. 

Lívia fala. Compara a Santana de Caicó com outra imagem de outra igreja que visitou, e diz: “só não era mais bonita do que a daqui de Caicó”. Encontro o sentimento de pertença entre o eu, o lugar e as coisas do lugar, “as raízes seridoenses”. 

Augusto fala. Penso nas palavras, no timbre, na fala. Lembro o Museu da Língua Portuguesa em São Paulo, penso no falar do Seridó, as expressões, as entonações, a linguagem. Mil telas para mil falares.

Penso, motivado por Lívia que nos conta que viu Santana na Europa, em Minas, sentada, de pé, e me pergunto: Quantas e quais são as tantas imagens de Santana que existem e estão também em cartazes, folhinhas, santinhos, camisetas? 

Encontro-me nos textos de apoio, respostas para as perguntas que não precisamos formular. Está tudo lá. Lembro a arquiteta Lina Bo Bardi que se voltou para a cultura popular, desconstruiu olhares e colocou tudo num bolo só: ex-votos, cesta, imagem de santos e entendeu a cultura do povo como um todo e cada um dos objetos como parte de um contexto, expressão e representação. 

Chego ao material educativo que reforça o museu como um espaço de formação, imprescindível; e a visita à exposição que me levou a um mundo novo tem fim. Um mundo diferente do que já tinha visto. E deixo por mais, um conselho: corram para ver o que eu vi. Vão se encantar

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