Corações desafinados também pedem socorro
Por Fredi Jon
Em 2001, numa tarde comum, o telefone tocou. Do outro lado da linha, um homem de 53 anos falava com a voz trêmula de um adolescente. Estava apaixonado por uma menina de 16. Perguntou como poderia tocar o coração dela com uma serenata.
Mas não era música que ele buscava. Era sentido.
Durante 2 horas e 40 minutos, Fredi Jon quase não falou de repertório. Falou de ausência. Falou de carência. Falou de projeção. Disse, com cuidado, que às vezes o que parece amor pode ser a tentativa de preencher um buraco antigo. Que ela podia enxergá-lo como pai, como amigo, como porto seguro — e não como homem. E que isso não era culpa dela.
O homem confessou que pensava em Maria Lúcia 24 horas por dia. Que estava perdendo o chão. Que o irmão, pastor batista, jamais entenderia — diria que era “coisa do demônio”. Ele não tinha com quem conversar. Estava acuado dentro do próprio desejo.
Queria que a serenata despertasse nela um novo olhar.
Fredi respirou fundo. Disse algo difícil: a serenata potencializa sentimentos que já existem, mas não cria maturidade onde ainda não há. Poderia até funcionar, sim. A música é poderosa. Mas naquele caso, poderia também aprofundar um abismo. Orientou-o a procurar ajuda profissional. A serenata não era remédio para solidão crônica, nem solução para conflitos éticos e emocionais tão delicados.
A ligação terminou em silêncio.
Do outro lado da linha, não havia aplauso, nem contratação, nem promessa de serenata. Apenas um homem respirando fundo — talvez pela primeira vez em muito tempo.
Fredi desligou o telefone e ficou alguns minutos olhando para o violão encostado na parede. Pensou em quantas pessoas pedem música quando, na verdade, estão pedindo escuta. Quantas confundem paixão com fome de afeto. Quantas acreditam que uma canção pode resolver aquilo que só a maturidade consegue curar.
Naquele dia ele compreendeu algo que nenhum repertório ensina.
A serenata não serve apenas para declarar amor.
Às vezes ela existe justamente para evitar que o amor se transforme em erro.
Porque a música pode abrir portas do coração — mas também precisa saber quando é mais digno não atravessá-las.
Talvez aquele homem nunca tenha feito a serenata.
Talvez tenha feito.
Talvez tenha procurado ajuda.
Talvez apenas tenha guardado o telefone no bolso e decidido esperar o tempo colocar as coisas no lugar.
Fredi nunca soube.
Mas desde então passou a entender que, antes de tocar qualquer canção na janela de alguém, é preciso perguntar em silêncio:
“Que história essa música vai alimentar?”
Porque existem serenatas que celebram encontros.
E existem outras — invisíveis — que salvam vidas simplesmente por não acontecerem.

Adquira já o seu exemplar através do fone 11 99821-5788
Fredi Jon – O Cantador de Histórias reúne relatos reais vividos ao longo de 25 anos de serenatas, encontros e música. Entre noites inesquecíveis, surpresas românticas, momentos engraçados e situações emocionantes, o autor compartilha experiências marcantes que só quem vive a música tão de perto poderia contar.
Cada história revela bastidores curiosos das serenatas, mostrando como a música é capaz de aproximar pessoas, despertar sentimentos e criar memórias que ficam para sempre.
Uma leitura leve, divertida e emocionante, perfeita para quem ama música, boas histórias e momentos cheios de emoção. Descubra as histórias que a serenata escreveu ao longo de 25 anos.